segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Breve 2012
Jonais Oficiais X Redes Sociais
Inicia-se a segunda década do século XXI, faço assim uma paráfrase de Eric Hobsbawn que denomina o século XX como “O breve” na obra Eras dos extremos. Este século será não somente breve, mas curtíssimo quando concentramos nossa visão nas novas mídias, ou seja, novas linguagens, novas expectativas, enfim novas visões de mundo. As transformações lentas e graduais que eram perceptíveis somente por meio de revistas e jornais de âmbito nacional ou regional agora transformam-se rapidamente em notícias em tempo real, notícias muitas vezes sem uma visão determinista do jornalista e do aparelho a qual ele está inserido.
No último dia 03 de janeiro os fortalezenses, mais especificamente moradores da periferia entraram em pânico em meio a onda de violência que assolou todo o Estado do Ceará com a greve dos PMs. Os jornais oficiais não noticiaram de forma categórica o que realmente era visto em ruas e na maior parte da cidade de Fortaleza, já de forma clara e objetiva as redes sociais foram incisivas na maneira de mostrar a cidade deserta, com focos de violência e em tempo real, as movimentações dos bandidos que se repetiam e espelhavam por toda a região metropolitana e nos interiores de maneira mais amena.
Nos jornais oficiais os fortalezenses traziam de forma clara a frustação dos trabalhadores que perderam o dia de trabalho ou até mesmo as crianças que não saíram para a escola, dada a sensação de terror, que se instaurou na cidade. Somente depois caímos em nós mesmos que a imprensa oficial nos chamou formalmente de mentirosos, e ainda pior que criamos uma sensação de pânico geral que foi o que realmente ocorreu na visão do jornal oficial.
As redes sociais trataram de logo exprimir a realidade que vivenciamos na periferia através de fotos, vídeos e mensagens instantâneas alertando aos leitores online que além de ler as mensagens, comentavam e evitavam as passagens de risco que ali se apresentavam.
De modo geral sinto um certo ciúme, uma vaidade da imprensa oficial especialmente os jornais de renome no Estado frente a uma novidade que trouxe a Primavera Árabe e trará muitas outras revoluções na sociedade pós-moderna que vive o agora, a temporalidade real, o momento único que não se repete fazendo assim um uso direto da mais bela forma de fazer história: que é nada mais que ser o agente de modificação da sociedade.
Márcio Lôbo - Professor
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